20 de novembro de 2007

Feriado morno II...


Droga, cadê o sol? O céu escureceu de nuvens negras, deve cair um pé d'água logo, logo.

Minha vizinha, uma senhora idosa que parece com a bruxa da Branca de Neve, espirra tão alto, mas tão alto, que eu escuto aqui da sala onde fica o meu notebook. Ou seja, pelo menos uma meia dúzia de paredes e eu escuto a velha espirrar. Também escuto quando ela abre a janela, de manhã cedinho, bem nos dias que eu não estou trabalhando, e grita bom dia para o porteiro lá loooooooonge.


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Estou me sentindo tão fútil hoje. Não fiz nada de interessante, além de comprar um pen drive bonitinho, do tipo objeto do desejo. Do meu, é claro. Daí tirei todas as aulas em power point que eu tinha armazenada aqui e passei tudo para lá.


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Queria estar fazendo nada em Paris. Acompanhada, de preferência, porque Paris sozinha é muito, mas muito triste. Porque dá uma baita vontade de namorar. Se estiver sozinha e achar um francês bonito...bom, daí tudo fica maravinlhoso.


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Hoje, finalmente, consegui olhar as minhas cicatrizes da laparoscopia. Estão horríveis, fiquei chateada, porque eu sempre cicatrizei legal. Sempre oriento meus pacientes a usarem creme + massagem. Não fiz nada disso. Acho que foi o fio que meu médico usou, fio absorvível. A porcaria ainda está sendo absorvida. Sem contar que eu arranquei a sutura de uma das feridas. Definitivamente eu não cuido da minha saúde.

(foto: Steve Raymer)

Feriado morno...


Já aumentei a memória do meu notebook, limpei um monte de arquivo inútil, transferi arquivos interessantes para o palm...E agora?


Preguiça, mas muita preguiça mesmo.

Não quero sair, sequer ler, nem assistir tv/dvd.


(foto: Adri Berger)

19 de novembro de 2007

São Paulo, chuva, período sabático...


São Paulo, 1960...

Gosto das fotos da série luz e sombra, de René Burri.


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Pré-feriado, ou meio de feriado para alguns. Para mim é o início de um período sabático de 10 dias sem trabalhar. Só vou trabalhar às quintas, pois não quis passar meus plantões de cuidados paliativos para outra pessoa. Mas lá eu não me canso, trabalho com prazer.

O que me atormenta é ter de operar. Ando cheia de operar. Não que eu não goste mais. Eu gosto, faço muito bem. O que realmente atormenta são alguns resultados ruins. E os colegas, os meus também, na presença de recidiva da doença, encaminham os pacientes para o oncologista. E daí não têm mais notícias deles, como se fosse um distanciamento do fracasso da cirurgia, do fracasso deles próprios. São uns deuses, alguns deles se acham inatingíveis. Então, o que fazer com um cara com doença recidivada? Mandar para o oncologista, que por sua vez não sabe tratar corretamente a dor. É. Exatamente isso. São outros merdas, os oncologistas.

Ainda bem que os paliativistas chegaram para ficar...


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Estou com quatro livros me esperando à cabeceira da cama, todas as noites.